Sexta-feira, Setembro 7, 2007

Xadrez no Cinema: O Sétimo Selo

Coloquei no blogue Peão Dobrado, em 06/09, como comentário ao artigo do seu autor O Xadrez no Cinema: O Sétimo Selo:  
O filme de Ingmar Bergman, O Sétimo Selo (no original sueco, Det Sjunde Inseglet), poderia ser, como alguém já disse, «um ensaio existencialista sobre a condição humana, sobre a forma de um desafio de xadrez entre um cavaleiro regressado das cruzadas e a própria morte», ou mesmo, «um nobre que volta das Cruzadas da Terra Santa para o seu castelo na Escandinávia, no meio de uma crise existencial, se vê na contingência de jogar xadrez com a Morte para salvar a própria vida».

Mas, Block [o cavaleiro] não pretende vencer a sua partida contra a Morte. Sabe que a tarefa é impossível, mas está decidido a ganhar algum tempo. O que ele deseja, antes de ser levado para o Outro Lado deste mistério, é o Conhecimento.

De facto, “Antonius Block, um Cavaleiro da Suécia medieval, regressa das Cruzadas e encontra o seu país devastado pela peste negra. A Morte aparece para levá-lo. Mas, Block, não está preparado para partir sem ter entendido o sentido da Vida e recusa entregar-se. Propõe, então, uma partida de Xadrez, em que, se ganhar ela será adiada. Mas, apesar de perder, a Morte continua a persegui-lo, até o levar.”

O filme é um grande fresco sobre a Idade Média, do ponto de vista “histórico” e, mesmo ideológico – o “fervor religioso” sincero, mas, acrítico e cego.

A grande questão, central, do meu ponto de vista é a (aparente ou real) oposição entre uma forma religiosa e, por isso, “exterior” de “ver” e conhecer o mundo e, uma outra, mais profunda, e “interior” de experienciar a Realidade da Vida e da Morte. O Conhecimento é a experiência interior e exterior, que irá preencher a sua “inquietação espiritual” do Cavaleiro que não encontra explicação para o seu vazio.

Ele não está pronto para partir, para a grande viagem – «o meu corpo está, mas a minha alma {EU] não» – é disso sintomática.

A tradução portuguesa do filme O Sétimo Selo (feita pela empresa Crisbet, para a distribuidora Costa do Castelo), do inglês e não directamente do sueco, mostra alguma debilidade na riqueza dos diálogos, uma dos aspectos mais interessantes do filme para além do rigor estético da excelente fotografia.

Permitam-me uma questão final, aqui para nós xadrezistas. O filme contém alguns erros (ou “gaffes“).

São capazes de descobrir alguns? 
Mas, até ao momento ninguém descobriu nada?
Publicado por Francisco Vieira em 19:51:14
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